APRESENTAÇÃO:

Este minicurso propõe uma investigação sobre o colonialismo como uma economia psíquica coletiva, analisando como o poder colonialista não se organiza apenas por meio de instituições políticas e econômicas materiais, mas também através da produção de fantasias, delírios, desejos, medos e formas institucionalizadas de sofrimento psíquico. Partindo do diálogo entre a psicanálise e a crítica anticolonialista, o curso articula contribuições de Frantz Fanon, Neusa Santos Souza, Lélia Gonzalez, Sigmund Freud e Jacques Lacan, propondo um deslocamento metodológico: conceitos tradicionalmente utilizados para compreender estruturas clínicas individuais – como fetichismo, paranoia, neurose e psicose – são mobilizados como ferramentas analíticas para interpretar o funcionamento social do colonialismo. A partir dessa perspectiva, serão discutidas formulações como fetichismo colonialista, paranoia branca, neurose colonialista e psicose colonialista, entendidas não como diagnósticos de sujeitos individuais, mas como formas institucionais de organização do desejo, da norma e da realidade dentro do mundo colonialista. Ao final do percurso, o minicurso propõe uma hipótese teórica radical: o colonialismo pode ser compreendido como uma instituição histórica e discursiva que, em sua materialização política e social, produz interdições e patologias no campo simbólico moderno, cuja estabilidade depende da contenção e regulação do desejo, bem como da fetichização e produção de delírios que sustentam a universalidade do humano.

Programa do Curso:

Aula 1
09 de abril de 2026
Psicanálise e Colonialismo: deslocamentos conceituais

Neste primeiro encontro será apresentada a base conceitual do curso, discutindo como categorias da psicanálise podem ser deslocadas da clínica individual para a análise de formações sociais. A aula introduz a hipótese de que conceitos clínicos podem ser mobilizados para compreender dinâmicas institucionais do colonialismo, inaugurando a ideia de uma economia psíquica no colonialismo.

Aula 2
16 de abril de 2026
Fetichismo Colonialista e Paranoia Branca

Este encontro examina como o colonialismo organiza o desejo e o medo através de dispositivos psíquicos específicos. A partir da teoria do fetichismo colonialista e da formulação da paranoia branca, será discutido como o corpo racializado se torna simultaneamente objeto de erotização e ameaça imaginada. A aula analisará como essas operações psíquicas sustentam hierarquias raciais e regulam o campo do desejo, produzindo fantasias que atravessam instituições, relações sociais e regimes de reconhecimento.

Aula 3
23 de abril de 2026
Neurose colonialista e tecnologiaS de subjetivação

O terceiro encontro explora o conceito de neurose colonialista, entendido como uma tecnologia de subjetivação produzida pelo colonialismo. A partir das contribuições de Lélia Gonzalez, Neusa Santos Souza e Frantz Fanon, será discutido como a branquitude se constitui como ideal de identificação e reconhecimento, gerando processos de assimilação, repressão de referências culturais próprias e conflitos entre desejo e norma colonialista. Ao expandir nessas análises para outras dimensões, como gênero e sexualidades, a aula analisa como essas dinâmicas produzem sujeitos que tentam [e/ou são impelidos a] se ajustar às exigências simbólicas da ordem colonialista.

Aula 4
30 de abril de 2026
Psicose colonialista e a patologização do simbólico moderno

No encontro final, o curso aprofunda a hipótese mais radical da proposta teórica: a ideia de que o colonialismo não apenas produz patologias individuais, mas pode ser compreendido como uma instituição histórica e discursiva que, em sua materialização política e social, produz interdições e patologias no campo simbólico moderno. A economia psíquica colonialista emerge, portanto, não como essência do colonialismo, mas como efeito de suas operações institucionais, raciais e sexuais. A partir do conceito de psicose colonialista, serão abordadas brevemente as formulações clássicas de neurose e psicose em Freud e Lacan, bem como a releitura realizada por Neusa Santos Souza em seus estudos sobre subjetividade negra (seu livro “Psicose”). Será discutido como a modernidade europeia institui uma universalidade que simultaneamente afirma a igualdade humana e sustenta a escravidão, o genocídio e a racialização. Essa contradição produz uma ruptura no campo simbólico, estabilizada por delírios colonialistas e mecanismos de [de]negação histórica.

 

Síntese do Percurso
Ao longo dos quatro encontros, o curso apresenta o colonialismo como uma economia
psíquica coletiva, estruturada por operações como:
● fetichismo colonialista
● paranoia branca
● neurose colonialista
● psicose colonialista
Essas operações revelam que o colonialismo não organiza apenas territórios e
economias, mas também fantasias, delírios, desejos, medos e regimes de reconhecimento,
produzindo uma ordem social sustentada por conflitos psíquicos institucionalizados.

 

 

Andreone T. Medrado: Andreone Teles Medrado [Ela/Dela], é graduada em Ciências Biológicas (UNIFIEO) e em Psicologia (USP), tem Mestrado Fisiologia Neuroendócrina (USP) e Doutorado em Psicologia (USP) pelo Departamento de Psicologia Experimental. No doutorado estudou influência do nojo na atratividade sexual e na religiosidade humana, com um olhar para a questão de gênero e da percepção da sexualidade, na tese sob título: “O nojo e a sexualidade humana: orientação sexual, identidade de gênero e sociosexualidade”. Seus estudos também compreendem o processo de racialização no Brasil, sobretudo a racialização negra, com articulações entre sexualidade, identidade de gênero e afetividades (com destaque para relacionamentos interraciais e não monogâmicos). Dedica-se aos estudos de gênero na perspectiva anticolonial, questionando a construção binária em torno desse conceito. Desde 2023, juntamente de parcerias importantes, elaborou, organizou e atualmente ministra a primeira disciplina sobre gênero em uma perspectiva queer anticolonial oferecida no Instituto de Psicologia da USP. Andreone é uma das pessoas fundadoras do primeiro Coletivo Negro – o Escuta Preta – no Instituto de Psicologia na USP e atuou na Coordenação Executiva do Núcleo de Consciência Negra na USP, no cargo de Coordenadora Geral. Em 2017 criou o Blog Devaneios Filosóficos; é co-autora de “Não Monogamia: trânsitos entre raça, gênero & sexualidade” (Telha, 2023); autora dos livros “Ensaios Sobre o Colonialismo: higienização, corpos, fé e subjetividades em disputa” (Telha, 2025); autora do livro “Políticas Afetivas da Desobediência” (Mandaçaia, maio-2026). É docente, palestrante e escritora e também fundadora do Podcast Devaneios Filosóficos.

 

Programa do Curso:

Dia Do Curso: 09, 16, 23 e 30 de abril

Horário: quintas-feiras, das 19h às 21h

Carga Horária: 8 horas

 

As aulas serão gravadas e ficarão disponíveis pelo prazo de até 1 mês após a última aula.

Investimento:

Profissionais: R$ 1.000,00 em até 3 vezes sem juros no cartão de crédito; ou R$ 900,00 à vista (depósito em conta, Entrar em contato com a secretaria: secretaria@nebulosamarginal.com.br)

Estudantes da graduação, alunos da Formação Freudiana: R$ 900,00 em até 3 vezes sem juros no cartão de crédito ou boleto (Entrar em contato com a secretaria: secretaria@nebulosamarginal.com.br).

Qualquer dúvida, por favor, entrar em contato com a secretaria: secretaria@nebulosamarginal.com.br

SKU: EconomiaPsíquicanoColonialismo Categoria: Tag:

Economia Psíquica no Colonialismo

R$ 400,00

APRESENTAÇÃO:

Este minicurso propõe uma investigação sobre o colonialismo como uma economia psíquica coletiva, analisando como o poder colonialista não se organiza apenas por meio de instituições políticas e econômicas materiais, mas também através da produção de fantasias, delírios, desejos, medos e formas institucionalizadas de sofrimento psíquico. Partindo do diálogo entre a psicanálise e a crítica anticolonialista, o curso articula contribuições de Frantz Fanon, Neusa Santos Souza, Lélia Gonzalez, Sigmund Freud e Jacques Lacan, propondo um deslocamento metodológico: conceitos tradicionalmente utilizados para compreender estruturas clínicas individuais – como fetichismo, paranoia, neurose e psicose – são mobilizados como ferramentas analíticas para interpretar o funcionamento social do colonialismo. A partir dessa perspectiva, serão discutidas formulações como fetichismo colonialista, paranoia branca, neurose colonialista e psicose colonialista, entendidas não como diagnósticos de sujeitos individuais, mas como formas institucionais de organização do desejo, da norma e da realidade dentro do mundo colonialista. Ao final do percurso, o minicurso propõe uma hipótese teórica radical: o colonialismo pode ser compreendido como uma instituição histórica e discursiva que, em sua materialização política e social, produz interdições e patologias no campo simbólico moderno, cuja estabilidade depende da contenção e regulação do desejo, bem como da fetichização e produção de delírios que sustentam a universalidade do humano.

Programa do Curso:

Aula 1
09 de abril de 2026
Psicanálise e Colonialismo: deslocamentos conceituais

Neste primeiro encontro será apresentada a base conceitual do curso, discutindo como categorias da psicanálise podem ser deslocadas da clínica individual para a análise de formações sociais. A aula introduz a hipótese de que conceitos clínicos podem ser mobilizados para compreender dinâmicas institucionais do colonialismo, inaugurando a ideia de uma economia psíquica no colonialismo.

Aula 2
16 de abril de 2026
Fetichismo Colonialista e Paranoia Branca

Este encontro examina como o colonialismo organiza o desejo e o medo através de dispositivos psíquicos específicos. A partir da teoria do fetichismo colonialista e da formulação da paranoia branca, será discutido como o corpo racializado se torna simultaneamente objeto de erotização e ameaça imaginada. A aula analisará como essas operações psíquicas sustentam hierarquias raciais e regulam o campo do desejo, produzindo fantasias que atravessam instituições, relações sociais e regimes de reconhecimento.

Aula 3
23 de abril de 2026
Neurose colonialista e tecnologiaS de subjetivação

O terceiro encontro explora o conceito de neurose colonialista, entendido como uma tecnologia de subjetivação produzida pelo colonialismo. A partir das contribuições de Lélia Gonzalez, Neusa Santos Souza e Frantz Fanon, será discutido como a branquitude se constitui como ideal de identificação e reconhecimento, gerando processos de assimilação, repressão de referências culturais próprias e conflitos entre desejo e norma colonialista. Ao expandir nessas análises para outras dimensões, como gênero e sexualidades, a aula analisa como essas dinâmicas produzem sujeitos que tentam [e/ou são impelidos a] se ajustar às exigências simbólicas da ordem colonialista.

Aula 4
30 de abril de 2026
Psicose colonialista e a patologização do simbólico moderno

No encontro final, o curso aprofunda a hipótese mais radical da proposta teórica: a ideia de que o colonialismo não apenas produz patologias individuais, mas pode ser compreendido como uma instituição histórica e discursiva que, em sua materialização política e social, produz interdições e patologias no campo simbólico moderno. A economia psíquica colonialista emerge, portanto, não como essência do colonialismo, mas como efeito de suas operações institucionais, raciais e sexuais. A partir do conceito de psicose colonialista, serão abordadas brevemente as formulações clássicas de neurose e psicose em Freud e Lacan, bem como a releitura realizada por Neusa Santos Souza em seus estudos sobre subjetividade negra (seu livro “Psicose”). Será discutido como a modernidade europeia institui uma universalidade que simultaneamente afirma a igualdade humana e sustenta a escravidão, o genocídio e a racialização. Essa contradição produz uma ruptura no campo simbólico, estabilizada por delírios colonialistas e mecanismos de [de]negação histórica.

 

Síntese do Percurso
Ao longo dos quatro encontros, o curso apresenta o colonialismo como uma economia
psíquica coletiva, estruturada por operações como:
● fetichismo colonialista
● paranoia branca
● neurose colonialista
● psicose colonialista
Essas operações revelam que o colonialismo não organiza apenas territórios e
economias, mas também fantasias, delírios, desejos, medos e regimes de reconhecimento,
produzindo uma ordem social sustentada por conflitos psíquicos institucionalizados.

 

Andreone T. Medrado: Andreone Teles Medrado [Ela/Dela], é graduada em Ciências Biológicas (UNIFIEO) e em Psicologia (USP), tem Mestrado Fisiologia Neuroendócrina (USP) e Doutorado em Psicologia (USP) pelo Departamento de Psicologia Experimental. No doutorado estudou influência do nojo na atratividade sexual e na religiosidade humana, com um olhar para a questão de gênero e da percepção da sexualidade, na tese sob título: “O nojo e a sexualidade humana: orientação sexual, identidade de gênero e sociosexualidade”. Seus estudos também compreendem o processo de racialização no Brasil, sobretudo a racialização negra, com articulações entre sexualidade, identidade de gênero e afetividades (com destaque para relacionamentos interraciais e não monogâmicos). Dedica-se aos estudos de gênero na perspectiva anticolonial, questionando a construção binária em torno desse conceito. Desde 2023, juntamente de parcerias importantes, elaborou, organizou e atualmente ministra a primeira disciplina sobre gênero em uma perspectiva queer anticolonial oferecida no Instituto de Psicologia da USP. Andreone é uma das pessoas fundadoras do primeiro Coletivo Negro – o Escuta Preta – no Instituto de Psicologia na USP e atuou na Coordenação Executiva do Núcleo de Consciência Negra na USP, no cargo de Coordenadora Geral. Em 2017 criou o Blog Devaneios Filosóficos; é co-autora de “Não Monogamia: trânsitos entre raça, gênero & sexualidade” (Telha, 2023); autora dos livros “Ensaios Sobre o Colonialismo: higienização, corpos, fé e subjetividades em disputa” (Telha, 2025); autora do livro “Políticas Afetivas da Desobediência” (Mandaçaia, maio-2026). É docente, palestrante e escritora e também fundadora do Podcast Devaneios Filosóficos.

 

Programa do Curso:

Dia Do Curso: 09, 16, 23 e 30 de abril

Horário: quintas-feiras, das 19h às 21h

Carga Horária: 8 horas

 

As aulas serão gravadas e ficarão disponíveis pelo prazo de até 1 mês após a última aula.

Investimento:

Profissionais: R$ 1.000,00 em até 3 vezes sem juros no cartão de crédito; ou R$ 900,00 à vista (depósito em conta, Entrar em contato com a secretaria: secretaria@nebulosamarginal.com.br)

Estudantes da graduação, alunos da Formação Freudiana: R$ 900,00 em até 3 vezes sem juros no cartão de crédito ou boleto (Entrar em contato com a secretaria: secretaria@nebulosamarginal.com.br).

 

Entrar em contato com a secretaria: secretaria@nebulosamarginal.com.br

DOCENTE

Andreone T. Medrado: Andreone Teles Medrado [Ela/Dela], é graduada em Ciências Biológicas (UNIFIEO) e em Psicologia (USP), tem Mestrado Fisiologia Neuroendócrina (USP) e Doutorado em Psicologia (USP) pelo Departamento de Psicologia Experimental. No doutorado estudou influência do nojo na atratividade sexual e na religiosidade humana, com um olhar para a questão de gênero e da percepção da sexualidade, na tese sob título: “O nojo e a sexualidade humana: orientação sexual, identidade de gênero e sociosexualidade”. Seus estudos também compreendem o processo de racialização no Brasil, sobretudo a racialização negra, com articulações entre sexualidade, identidade de gênero e afetividades (com destaque para relacionamentos interraciais e não monogâmicos). Dedica-se aos estudos de gênero na perspectiva anticolonial, questionando a construção binária em torno desse conceito. Desde 2023, juntamente de parcerias importantes, elaborou, organizou e atualmente ministra a primeira disciplina sobre gênero em uma perspectiva queer anticolonial oferecida no Instituto de Psicologia da USP. Andreone é uma das pessoas fundadoras do primeiro Coletivo Negro – o Escuta Preta – no Instituto de Psicologia na USP e atuou na Coordenação Executiva do Núcleo de Consciência Negra na USP, no cargo de Coordenadora Geral. Em 2017 criou o Blog Devaneios Filosóficos; é co-autora de "Não Monogamia: trânsitos entre raça, gênero & sexualidade" (Telha, 2023); autora dos livros "Ensaios Sobre o Colonialismo: higienização, corpos, fé e subjetividades em disputa" (Telha, 2025); autora do livro "Políticas Afetivas da Desobediência" (Mandaçaia, maio-2026). É docente, palestrante e escritora e também fundadora do Podcast Devaneios Filosóficos.

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